Um início melancólico e desesperador.

         Oi... 

    Não sei como começar isso, mas sei que preciso começar de alguma forma. Esse é meu diário, minha vida, minha história, claro... com uma romantização que não existe nela de verdade, mas eu gosto de escrever romances e gostaria de transformar minha vida em um, por mais que seja apenas fictício. Quero me transformar em uma pessoa importante para algo e alguém, e oque seria de uma história de romance sem a personagem principal? Ela é importante, não é? É certo que não serei tão interessante como Elizabeth Bennet, Emma ou qualquer outra personagem de Jane Austen, que por coincidência é minha autora favorita, mas mais importante do que ser interessante é me sentir bem com a minha minha própria personalidade, que talvez não seja tão legal, profunda e interessante, mas que é inteiramente verdadeira e falha. Eu sou real, Elisa sou eu, é meu nome, são minhas características e meus erros e acertos. 

    É importante que saibam que, isso tudo não é nada mais do que uma forma de eu me expressar e de viver minha vida como sempre quis, sem medos, vivendo um romance que talvez só exista em livros e filmes, mas que eu queria para mim. Eu tenho problemas de socializar, claro, consigo fazer as coisas básicas como dar bom dia ao porteiro do meu prédio, dizer obrigado para o motorista do uber e pedir desculpas ao trombar com alguém na rua, e por mais que muitos digam que isso é o mínimo, por educação, eu sei como pode ser difícil dizer essas simples palavras para um total desconhecido. E a escrita me ajuda muito, me expresso muito melhor escrevendo, mas infelizmente, não posso escrever uma carta ou um sms para todos que passarem ao meu lado no dia a dia e aos poucos, consegui voltar a falar com estranhos. Muitos querem dizer e sorri em agradecimento, mas não conseguem, por medo, timidez e insegurança e eu, de verdade, os entendo perfeitamente. 

    Dificuldade em socializar. Nem sempre isso foi um problema para mim. Eu era uma criança bem extrovertida, tinha muitos amigos, falava com todos da minha rua e escola e não tinha vergonha de quase nada. É engraçado olhar para trás e ver essa imagem minha que, mesmo com os dentes separados e tortos, vivia sorrindo para todo mundo. Essa era eu. Pretérito imperfeito, no passado, já realizado e concluído, eu era assim, e ficou para trás, como se fosse uma fase da minha vida que ja fora concluída para sempre. Não gosto da minha versão de hoje, o presente, o que vivo no momento de agora, mas também, dizer que odeio seria cruel demais comigo mesma. Não me odeio, mas também não me amo, diria que estou em no meio do caminho entre os dois e agora, preciso escolher de vez qual caminho trilhar, o ódio por mim mesma ou amor. E eu ja escolhi, por isso escrevo isso agora, porque resolvi me amar, me colocar como personagem principal, me colocar em primeiro, como a mais importante de todos. Uns chamam de egoísmo e narcisismo, eu chamo de busca pelo meu amor próprio. 


     E é para mim que dedico esse livro e essa história. 

    Obrigada Elisa, por escolher se amar. 



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